Reflexao Lc. 8,26-39


REFLEXÃO:  Lc.8,26-39  cura de um possesso em região pagã.

A encarnação de Jesus restaura a humanidade do possesso desumanizado.

Jesus chega à região dos gergesênios. Terra pagã – fora do território dos judeus.

Jesus está além-fronteiras em sua missão.

Quando descia à terra = entrando em terra pagã. Veio ao encontro dele um homem da cidade que tinha demônios – possuído pelo mal estava desumanizado. Estava nu (não vestia roupa) como Adão depois de pecar (desumanizado). Não morava numa casa – fora da comunhão com os familiares, morava junto aos túmulos (cemitério) lugar da morte. Estava totalmente fora da condição humana. Deixou de ser humano.

Ao ver Jesus se lançou a seus pés gritando forte: “que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te rogo, não me atormentes”.  Diante de Jesus se manifesta o conflito em grau absoluto. O confronto entre o plenamente humano e o plenamente desumanizado. É irreconciliável! Não há como conviver. A ação de Jesus vai restaurar a humanidade perdida do homem possesso.

Jesus ordena ao espírito impuro que saísse do homem. Jesus tem poder de expulsar o que desumaniza.

Muitas vezes o mal se apoderou dele – nem amarrado com correntes era possível preservá-lo. A força do mal quer prevalecer sobre a humanidade da pessoa. O mal sempre desumaniza. Quem se deixa levar pelo mal se desumaniza. “eu te rogo não me atormentes” (parece não ter mais o que fazer – entregue a própria sorte não vê mais saída) – a luta e resistência em deixar o mal. Sabe que o mal faz mal, mas não quer abrir mão dele. Nudez adâmica!

Mas, há, no ser humano impresso a “imagem e semelhança de Deus” que se opõe ao espírito do mal. É o encontro com Jesus que arrebenta as correntes que desumaniza, porque o destino do ser humano é ser plenamente humano porque é assim que Jesus se manifesta: plenamente humano – é pela recuperação do projeto original de Deus que somos salvos! É a humanidade de Jesus (encarnação) que revela a verdadeira face humana, que restabelece o rosto de  Deus em todos.

Mas o demônio (mal) o impele para lugares desertos - deserto aonde não existe vida, desabitado, não é lugar de habitação humana, é símbolo do isolamento, entregue a própria sorte.

Jesus pergunta pelo nome. Qual é teu nome?Legião” – (símbolo das legiões do exército romano que eram temidas e com elas ninguém podia, disseminadoras da destruição) – símbolo máximo do mal que desumaniza que escraviza.

Os demônios suplicam a Jesus para que não os mandassem para o abismo. Os demônios temem a força capaz de destruir o mal que impede o ser humano de ser humano.  Abismo = lugar da morte – desaparecimento.

Havia ali uma manada considerável de porcos = porcos símbolo do animal impuro. Jesus está em território pagão (Os judeus não comiam carne de porco – nem os criavam.)

Os demônios suplicam a Jesus para entrarem na manada de porcos. = Jesus permite que possam ir para o lugar da impureza. E os porcos possuídos pelo mal se lançam no precipício e se afogam no mar. (mar símbolo da morada do mal, do poder destruidor, símbolo da morte = os porcos vão para a morte – aquilo que desumanizava o homem é jogado na morte). Jesus tem poder de libertar o desumanizado e devolver-lhe a vida, a dignidade.

À vista do que acontecera os guardas fugiram e contaram na cidade e aldeias o que aconteceu. O povo veio ver o que aconteceu e chegaram perto de Jesus e acharam sentado a seus pés, o homem do qual tinha saído os demônios. Ele estava vestido e em pleno juízo e eles ficaram com temor.

Os que viram relataram como ele tinha sido salvo. (restituído em sua plena humanidade, pleno juízo – consciência de si).

Os gergesênios pediram para Jesus que se afastasse deles, estavam tomados pelo medo. O medo impede de ver a humanidade de Jesus. Os gergesênios preferiram ficar em sua ignorância e não fazer a experiência da verdadeira humanização trazida por Jesus. Jesus subiu no barco e voltou!

O homem liberto pedia para ficar com Jesus, mas Jesus despediu-o dizendo volta para tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti”. (cfr. Episódio da samaritana Jo 4,28). Quem foi salvo é enviado de volta aos seus! A maneira de estar com Jesus é fazer o que Ele fazia. Proclamar por toda a cidade tudo o que Jesus (Deus) fizera por ele! (devolvera sua humanidade). O possesso tendo restituído seu rosto humano, livre das correntes que o afastavam da comunhão com os seus, é um homem salvo.



Revendo:



Jesus desce em terra pagã, lugar em que não conhecem a salvação trazida pela sua encarnação (humanidade). Logo de início Jesus se encontra com a desencarnação, desumanização total simbolizada no homem possuído por muitos demônios.  O primeiro confronto entre a plena humanidade de Jesus e a plena desumanização é de luta. O possesso, desumanizado, desesperado, vivendo entre os mortos, possuído pelo mal perdeu todos os referenciais que o faziam humano. Não vestia roupa (Estava nu, como Adão no paraíso depois de desumanizar-se!), não morava numa casa (sem habitação, sem lugar para ficar), ninguém conseguia segurá-lo, (“arrebentava as correntes”) sem liberdade, impossibilitado de ter vida de comunhão com os seus. Vive isolado, só. Habita a região da morte (cemitério). Não há horizonte para sua vida. Quando atacado pelo mal era “impelido pelo demônio para lugares desertos”, lugar sem vida. Sua companhia é o tormento. Falta-lhe paz, vida, alegria. Só há lugar para o ódio, rancor, destruição.

A proximidade com Jesus revela toda sua desumanidade! Sua reação inicial é não querer a proximidade de Jesus. Diante do poder regenerador de Jesus, o mal não se rende, não se dá por satisfeito, pede para compensar-se nos porcos (na impureza – porco animal impuro!). Metido na impureza precipita-se na morte. Afoga-se no mar. O mal sempre gera mal maior!

O homem que fora possesso regenera-se, torna-se humano, tem restabelecida sua dignidade, está vestido, (como no episódio do filho pródigo, o pai que dá uma túnica nova! Lc.15,22) sentado aos pés de Jesus, pronto para assumir sua nova missão, não mais de espalhar o medo e o terror, mas de voltar para “sua casa” (seu lugar) e lá proclamar pela cidade os benefícios que Deus lhe fizera. Eis a missão de quem se encontrou com a verdadeira encarnação de Jesus, levá-lo aos da cidade (lugar habitado) em contraposição ao ir para o deserto  (impelido pelo demônio) lugar desabitado. O mal sempre afasta as pessoas de si mesmos e dos outros.

Regenerado em sua humanidade não está mais aos gritos de desespero, mas desejoso de permanecer junto a Jesus. Jesus lhe indica que “permanecer com Ele” é levar a mensagem aos de sua casa e proclamar na cidade o que Deus (Jesus) lhe fizera!


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